Mulheres na Literatura











trovadorismo

Cantiga de Amor

(D. Dinis )

Quero à moda provençal
fazer agora um cantar de amor,
e quererei muito aí louvar minha senhora
a quem honra nem formosura não faltam
nem bondade; e mais vos direi sobre ela:
Deus a fez tão cheia de qualidades
que ela mais que todas do mundo.
Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo
quando a fez, que a fez conhecedora de
todo bem e de muito grande valor,
e além de tudo isto é muito sociável
quando deve; também deu-lhe bom senso,
e desde então lhe fez pouco bem
impedindo que nenhuma outra fosse igual a ela
Porque em minha senhora nunca Deus pôs mal,
mas pôs nela honra e beleza e mérito
e capacidade de falar bem, e de rir melhor
que outra mulher também é muito leal
e por isto não sei hoje quem
possa cabalmente falar no seu próprio bem
pois não há outro bem, para além do seu.

Explicação

Voz lírica masculina: “Pois Deus quis fazer minha senhora de tal modo”

Tratamento dando à mulher: mia senhor.

Idealização da mulher: “a quem honra nem formosura não faltam ”

Submissão excessiva amorosa

No texto, temos um típico exemplo do amor cortês, com o trovador confessando o seu amor pela mulher, assumindo-a como superior a ele.

Fonte: Colegio São Francisco – Trovadorismo

*O que observamos no Trovadorismo é uma idolatria ao feminino, o homem apaixonado era romântico e escrevia lisonjeados versos e cantigas (como a acima) para a mulher que amava. A mulher do trovadorismo era retratada como um ser puro, quase intocável e assim era cobiçada e respeitada.*



et cetera